Design 2022
Emerson Niide
Head de UX e Marketing no Superbid, professor na Ironhack e na Galícia, host na UX do Bem (www.uxdobem.org)
Geek, otimista, cachorrista

Eu não sei

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Uma pequena homenagem à dúvida

Quando o Vitor me convidou para escrever neste Design 2022, fui fazer um benchmark e reler as edições passadas. Um monte de gente bacana falando sobre temas legais. Com propriedade, com certezas. Aí me surgiu uma dúvida:

Será que eu sou a melhor pessoa pra falar sobre os temas que imaginei? E será que o mundo precisa de um texto meu a respeito? Eu não sei.

Achei uma ideia melhor dedicar este meu espaço à dúvida.

Eu não sei

A gente vive com pessoas que sabem tudo na empresa. Com PhDeuses que sabem tudo na academia. Com especialistas ora em tecnologia de RNA mensageiro, ora em reversor de avião e política internacional.

E a gente se sente na obrigação de aparecer sempre com uma resposta também. 

Resposta na reunião, resposta como tema de palestra. "8 Respostas para 2022", um bom título para chamar atenção no Medium.

Mas a verdade é que, na maioria das vezes, a gente simplesmente não sabe.

Em 50 anos de casamento, o Don Norman ainda não entende tudo que a esposa quer dizer. E você, com uma semana de pesquisa, sabe tudo sobre sua persona?

Você não sabe.

Nós não sabemos. E que alívio dizer isso. Não tira um peso das costas? Não sabemos, mas aprendemos a aprender.

A importância da dúvida

Imagine a cena: dez pessoas numa reunião. Cada uma com suas certezas, seus relatórios do Gartner, sua leitura dos dados. Uma certeza a mais ou a menos não vai mudar muita coisa.

Mas certezas causam boa impressão, mesmo que não resistam a uma checagem científica. Já dúvidas são patinhos feios. Podem ser lidas como incompetência. Mas entendo que é o contrário: assumir que não sabemos nos leva a pensar. 

Os dados mostram que as pessoas abandonaram o carrinho, então a primeira coisa a se fazer é remarketing. Certo? Eu não sei.

Para atingir as metas, precisamos criar bônus de performance. Certo? Eu não sei.

A dúvida pode nos levar a ver o problema por ângulos diferentes, botar o cérebro pra funcionar e fugir de achismos e soluções óbvias.

500 por quês

Quando perguntam minha opinião sobre a característica mais importante pra designers --essa resposta eu sei--, digo que considero a humildade.

Porque a gente tem que deixar ego de lado pra aceitar que nem sempre tem a resposta, e ir buscá-la.

Acho que assumir a dúvida é o melhor que a gente pode fazer como designer.

E a dúvida é uma folha em branco. É um ponto de partida para o melhor que nós podemos fazer. Para ir atrás, pesquisar, experimentar, aprender.

Eu gosto muito de trabalhar com design. Como diz meu amigo Fulvio, é uma área para pessoas curiosas.

E o que me move de manhã, além do café, é a vontade de fazer um trabalho que só pode ser bom se for honesto. Só pode ser um bom design se a gente for humilde, se a gente não usar um verniz de falsa autoridade. Só pode ser bom se a gente tiver disposição pra aprender sempre. E começar assumindo, em muitos momentos no processo: eu não sei.

Emerson Niide

Trabalha com UX desde 2006, tendo liderado projetos para empresas como Natura, Itaú, Microsoft e Medtronic; foi responsável pela UX de lançamento do Sofisa Direto, Guiabolso e Banco Original. Fez apresentações em eventos da área como o UXPA International, UX-Lx, IA Conference, Ebai e ILA. Trabalha como head de UX e Marketing no Superbid, dá aula no curso de UX + UI da Ironhack e na pós em Marketing Digital da Escola de Gestão Galícia. Apresenta o UX do Bem, programa de lives para arrecadar doações usadas no combate à fome.

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